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EMPRESA PORTUÁRIA DA NOVA INVESTIGAÇÃO CONTRA TEMER ATUA SEM CONTRATO

Publicado dia 09/10/2017 às 06h25min
Pivô da mais recente investigação aberta sobre Michel Temer, o grupo Rodrimar ocupa uma área no porto de Santos "sem respaldo" de contrato com o poder público

Protagonista da mais recente investigação aberta contra Michel Temer, o grupo Rodrimar  ocupa uma área no porto de Santos "sem respaldo" de contrato com o poder público, segundo o governo federal, e tem autorização apenas de liminares para atuar em outros dois terminais; o grupo  teve sua concessão prorrogada por 35 anos, em maio, graças a uma canetada presidencial; o Ministério Público Federal suspeita que dois dirigentes da companhia tenham operado propina para Temer;  o ex-assessor de Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi gravado em interceptações telefônicas defendendo a ampliação de alcance do decreto presidencial que beneficiaria empresas portuárias com contratos antigos, firmados até o início dos anos 1990.

247 - Pivô da mais recente investigação aberta sobre Michel Temer, o grupo Rodrimar ocupa uma área no porto de Santos "sem respaldo" de contrato com o poder público, segundo o governo federal, e tem autorização apenas de liminares para atuar em outros dois terminais.

Os contratos do grupo em três setores do porto expiraram em 2013 e 2014, o que obrigou a empresa a buscar medidas judiciais para continuar operando. O plano do governo federal, ainda na gestão Dilma Rousseff, era licitar e fazer novos contratos nas áreas ocupadas pela companhia no litoral paulista.

A ocupação dos outros dois terminais da Rodrimar em Santos está ancorada em liminares, em casos com idas e vindas no Judiciário.

O grupo teve sua concessão prorrogada por 35 anos, em maio, graças a um decreto presidencial.

Na última segunda (2), a procuradora-geral Raquel Dodge pediu ao Supremo Tribunal Federal para que Temer, o diretor-presidente da Rodrimar, Antonio Celso Grecco, e um diretor da empresa, Ricardo Mesquita, fossem ouvidos no inquérito sobre os portos.

Em conversa gravada com Rodrigo Rocha Loures, Ricardo Saud, da JBS, mencionou Mesquita e Grecco ao falar de supostos repasses de dinheiro vivo, o que fez os investigadores levantarem suspeitas sobre a proximidade deles com Temer. As gravações foram feitas na mesma época das negociações finais sobre o decreto dos portos.

O teor defendido por Rocha Loures para o decreto atendia ao pleito das empresas do setor, criando a possibilidade de prorrogação de contratos firmados antes de uma lei de regulação do setor portuário, em 1993.

Em telefonema para o ex-deputado na véspera da assinatura, Mesquita reclama do texto do decreto.

O porto é conhecido como uma área de influência política do grupo de Temer desde os anos 1990.

As informações são de reportagem de Felipe Bachtold na Folha de S.Paulo.  

Fonte: Redação