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Basílio Carneiro: Por mais que pareça, essa talvez não seja a hora, Vené.

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Merece atenção especial o atual capítulo da política paraibana que tem no centro da tela o senador Veneziano Vital do Rêgo e seu MDB. Veneziano, presidente regional da sigla, é também vice-presidente do Senado. Não de hoje o emedebista é figura de proa na política do estado, a ponto de ocupar posições centrais nos últimos processos eleitorais em que se disputou a cadeira principal do Palácio da Redenção.

Recapitulemos:
Em 2010 Veneziano seria o melhor nome das oposições, caso o governo de Cássio Cunha Lima tivesse chegado até o fim do prazo oficial. Com a cassação do tucano, José Maranhão assume o posto de governador e adquire o direito de ser candidato à reeleição, o que para mim, foi um erro. Era a vez de Vené. Maranhão convidou tanto ele quanto Vitalzinho para a vaga de vice, mas ambos declinaram. Não deu outra: Cássio apoiou Ricardo Coutinho e este elegeu-se governador.

Em 2014 novamente Vené era o melhor nome para enfrentar Ricardo, inclusive dividindo os votos de Campina Grande, já que Cássio era aliado do ‘mago’. O rompimento de Cunha Lima com Ricardo foi o que adiou o projeto, uma vez que Cássio candidato, na condição de vitimado, como conseguiu se apresentar, polarizou com o socialista. Veneziano e seu grupo acharam por bem não se apresentarem como terceira via.

Chega 2018 e tudo estava bem acomodado. Com Ricardo Coutinho bem avaliado nos dois governos, indicou João Azevêdo para sucedê-lo e Veneziano disputou o senado, sendo eleito. Nada a reclamar.

Agora estamos em pleno processo pré-eleitoral para 2022 e é neste instante que tudo passa a ser decidido. Os últimos acontecimentos envolvendo Veneziano Vital do Rêgo na sua relação com o atual governador (de quem ainda é aliado) são do conhecimento de todos: a mudança no comando do diretório estadual do Podemos (sigla que era comandada por aliados do emedebista) e imbróglio do cerimonial governamental em Campina Grande, no último dia 08 de outubro.

O clima inegavelmente é propício a um rompimento político. O fato é que Veneziano tem de si condições muito mais favoráveis do que nos contextos anteriores. Ele agora tem o partido na mão e tem o aval da executiva nacional do MDB. É vice-presidente do Senado e ainda conta com o gabinete da senadora Nilda Gondim (MDB), que é sua mãe, para reforçar articulações.
Mas vem a pergunta: é interessante ser candidato ao governo na conjuntura atual?

Veneziano participa do governo de João Azevêdo (Cidadania), tem aliados ocupando cargos, além da secretária de Administração da Articulação Municipal, que é a sua esposa Ana Cláudia. Ainda que existam motivos pontuais para um rompimento, com qual discurso oposicionista Vené começaria a desfilar sua candidatura? Motivos para um rompimento podem passar a existir na undécima hora, mas como a partir daí apresentar um projeto de oposição?

Agora, some-se a isso o fato de que João Azevêdo tem um governo bem avaliado. Pesquisas de opinião pública mostram que o atual governador tem musculatura de sobra para disputar uma reeleição.

Volto a dizer que, embora esteja mais forte politicamente, a atual conjuntura manda que Veneziano pondere. Por mais que pareça o contrário, agora é que ele deve repensar seu projeto de chegar ao Palácio da Redenção. Decerto tem convite para ser vice ou indicar alguém. Deveria aceitar. Uma chapa João e Vené é imbatível. Com isso, lastrearia o caminho para uma eleição inexorável em 2022, tendo o apoio de João, ainda mais no exercício do cargo, com uma provável candidatura do atual governador ao Senado, afastando-se nove meses antes.
Como avaliação final, é sempre bom recorrer à história das eleições nas últimas décadas, depois do instituto da reeleição. Vejamos:

Os prefeitos Cássio Cunha Lima, Veneziano Vital do Rêgo e Romero Rodrigues foram reeleitos para um segundo mandato sucessivo em Campina Grande. Os governadores José Maranhão, Cássio (à parte a cassação) e Ricardo Coutinho, idem. Na capital do estado os prefeitos Cícero Lucena, Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo, também. E da mesma forma os presidentes da República FHC, Lula e Dilma.

Pergunta-se: que assombro faria com que João Azevêdo não entrasse nessa lista, com o governo que vem fazendo?

Pra completar, o Partido dos Trabalhadores (PT) da Paraíba, decidiu, por ampla maioria, afirmar desde já o apoio à reeleição do atual governador.

É urgente avaliar todo esse cenário. Por mais que pareça, essa talvez não seja a hora, Vené.

 

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