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Editorial do El País defende aliança europeia com Lula para derrotar a extrema-direita no Brasil

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Enquanto segue sendo sabotado e silenciado pela extrema imprensa brasileira, que apoiou e segue apoiando o neoliberalismo fascista, Lula é exaltado pelo maior jornal espanhol como remédio para derrotar o bolsonarismo

247 – O El País, maior jornal da Espanha, desta em seu editorial desta segunda-feira, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o social-democrata que pode derrotar a extrema direita no Brasil em 2022. “Lula deixou a mensagem em seu rastro na Europa de que o Brasil não é o Bolsonaro e que uma esquerda democrática, realista e disposta a lutar contra a desigualdade é possível”, aponta o texto. Leia, abaixo, a íntegra:

O ano de 2021 inaugura um novo ciclo eleitoral na América Latina que terá uma de suas nomeações decisivas no Brasil no próximo outono. As eleições provavelmente colocarão o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro contra o sindicalista e ressurgente Luiz Inácio Lula da Silva, embora ele ainda não tenha confirmado que disputará as eleições presidenciais. Em Bruxelas, ele protagonizou diversos encontros em uma agenda comum com a família social-democrata e progressista que ajuda a desenhar fortemente a possibilidade de que Lula, finalmente, seja candidato. E é animador porque hoje aquele que foi fundador do Partido dos Trabalhadores parece ser o único candidato com capacidade para derrotar Bolsonaro, um presidente que desprezou a vida humana e a autoridade da ciência durante a pandemia, levando ao seu país com uma das maiores taxas de mortes por covid-19 do planeta. Além de tentar destruir a Amazônia, um dos pulmões da Terra e o foco que mais valoriza a diversidade do globo, Bolsonaro desconsiderou sem remorso as normas democráticas básicas, deslegitimando e tentando anular seus adversários políticos. Nada mais perigoso para a saúde das democracias do que negar a alternância política, algo que Lula defende com convicção para seu país em entrevista a este jornal.

Desde que Bolsonaro se tornou presidente em 2019, ele segue o conhecido manual do populismo autoritário. Infligiu danos incalculáveis ​​às normas constitucionais e dividiu e polarizou sua sociedade: desacredita a política e despreza a verdade, ao mesmo tempo que promove teorias de conspiração negativas. As eleições que colocarão Lula contra Bolsonaro terão um caráter existencial: o próprio futuro da democracia no Brasil está em jogo. O resultado terá inevitavelmente um grande impacto em todo o continente na próxima década, devido à capacidade de irradiação de um país que havia sido considerado um exemplo democrático de economias emergentes.


A importância de Lula e dessas eleições para a estabilidade da região são os principais motivos pelos quais vale a pena uma reaproximação da esquerda europeia ao possível próximo presidente do Brasil. Sem dúvida, ele pode ser considerado o representante mais próximo da família social-democrata no continente latino-americano. Lula mostrou sua sensibilidade para com a pobreza e a justiça social em uma área duramente atingida pela desigualdade. Mas também para questões como mudanças climáticas, diversidade e qualidade democrática. Sua visão em termos de valores e governança global multilateral dá sentido a essa conversa entre famílias progressistas dos dois continentes. A construção de uma agenda comum surge num momento em que os problemas internos europeus continuam a aprofundar o inexplicável vazio e desinteresse da União por uma região com a qual é essencial estabelecer uma aliança estratégica para lutar por objetivos comuns como as alterações climáticas e a globalização que limita os excessos ordoliberais da última década. Lula deixou a mensagem em seu rastro na Europa de que o Brasil não é o Bolsonaro e que uma esquerda democrática, realista e disposta a lutar contra a desigualdade é possível.

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