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EFEITO CONTRÁRIO: Após reunião, embaixada europeia diz que Bolsonaro mentiu e fez “declarações perigosas”

Corpo diplomático que participou da reunião em que Bolsonaro atacou o sistema eleitoral brasileiro enviou relatório ao seu governo apontando que falas do presidente “indicam ações imprevisíveis”

Reunião de Bolsonaro com embaixadores estrangeiros.
Créditos: Clauber Cleber Caetano/PR
RevistaFórum
Por Ivan Longo

Uma das representações diplomáticas que participou da reunião com Jair Bolsonaro (PL) na última segunda-feira (18), em que o presidente atacou o sistema eleitoral brasileiro numa estratégia golpista de colocar em xeque o pleito para caso saia derrotado, enviou relatório ao seu governo apontando “declarações perigosas” do presidente. As informações são da CNN Brasil, que teve acesso ao relatório.

Segundo a emissora, que não divulgou de qual país é a embaixada, trata-se de uma representação diplomática europeia, que transcreveu no relatório trechos das falas de Bolsonaro e alertou que as declarações do presidente “indicam ações imprevisíveis”

“Essas declarações são perigosas porque indicam ações imprevisíveis (…) O presidente pretende gerar a sensação de que é vítima de um sistema corrupto e que sua luta é pela legalidade e transparência das eleições”, diz a embaixada.

Em outro trecho, o relatório dá conta de que o presidente mentiu quando mencionou vídeos de eleitores tentando votar nele e não conseguindo nas eleições de 2018. A representação diplomática destaca que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu essa informação.

Embaixada dos EUA frustra Bolsonaro: “Sistema eleitoral do Brasil é modelo”
A embaixada dos Estados Unidos no Brasil divulgou nota oficial, na noite desta terça-feira (19), em que reage às teses golpistas de Jair Bolsonaro (PL) contra o sistema eleitoral brasileiro, difundidas em reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada na segunda-feira (18).

Na reunião, Bolsonaro repetiu suas teorias sobre fraude nas urnas – já desmentidas em inúmeras ocasiões – e atacou ministros do TSE e STF com o objetivo de desestabilizar o pleito de outubro diante de uma possível derrota.

O governo dos Estados Unidos, no entanto, não comprou a versão do presidente brasileiro e, através de sua representação diplomática no Brasil, informou que confia nas instituições brasileiras e em seu sistema eleitoral.

“Como já declaramos anteriormente, as eleições no Brasil são para os brasileiros decidirem. Os Estados Unidos confiam na força das instituições democráticas brasileiras. O país tem um forte histórico de eleições livres e justas, com transparência e altos níveis de participação dos eleitores”, diz um trecho da nota.

“As eleições brasileiras, conduzidas e testadas ao longo do tempo pelo sistema eleitoral e instituições democráticas, servem como modelo para as nações do hemisfério e do mundo”, prossegue o comunicado.

Ao final, a embaixada dos EUA diz ainda que “à medida que os brasileiros confiam em seu sistema eleitoral, o Brasil mostrará ao mundo, mais uma vez, a força duradoura de sua democracia”.

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