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“Noivinha do Aristides”: Bolsonaro despontou na política com artigo motivado pela notícia de homossexualidade na Aman

A sexualidade de Bolsonaro é assunto privado, mas ele o levou para a esfera pública ao mandar prender mulher que o chamou por suposto apelido; Jarbas Passarinho disse que ele gostava de pernoitar no alojamento dos sargentos

Por Joaquim de Carvalho, 247 – A sexualidade de Jair Bolsonaro é assunto da esfera privada, mas que se tornou público com a reação dele à mulher que foi presa por chamá-lo de Noivinha de Aristides.

Este seria um sargento que dava aulas de judô na Academia Militar de Agulhas Negras (Aman) quando Bolsonaro era cadete. Se é verdade que Bolsonaro tinha affair com o militar, de patente inferior, não importa.

A questão é que a homossexualidade é essencial para entender como Jair Bolsonaro entrou na política.

Em 1986, ele se tornou conhecido nacionalmente por publicar artigo na revista Veja em resposta à reportagem que apontava a debandada de militares que serviam na Aman por conta da homossexualidade.

“Há poucos dias, a imprensa divulgou o desligamento de dezenas de cadetes da Academia Militar de Agulhas Negras (Aman) por homossexualismo, consumo de drogas e uma suposta falta de vocação para a carreira militar”, escreveu.

Ele destacou ainda:

“Em nome da verdade, é preciso esclarecer que, embora tenham ocorrido efetivamente casos residuais envolvendo a prática de homossexualismo, consumo de drogas e mesmo indisciplina, o motivo é outro. Mais de 90% das evasões se deram devido à crise financeira que assola a massa dos oficiais e sargentos do Exército”.

Bolsonaro responsabilizou publicamente o então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, pelos salários supostamente baixos e, em razão disso, foi preso durante 15 dias por indisciplina.

O caso conferiu a Bolsonaro a liderança entre os militares de patentes mais baixas. Ele se tornou ídolo e, mais tarde, disse à repórter Cássia Maria, de Veja, que tinha plano para promover explosões em banheiros da Aman e em outros alvos.

A revista publicou até croqui que teria sido feito de próprio punho por Bolsonaro. Era off, mas a revista, em razão da gravidade das informações, tornou o plano público.

Bolsonaro foi submetido a um Conselho de Justificação, que decidiu pela sua expulsão do Exército, mas o Superior Tribunal Militar STM), ignorando provas técnicas, o manteve na corporação, por 8 votos a 4.

Pouco depois, Bolsonaro pediu aposentadoria proporcional e entrou na política como vereador eleito pelo Rio de Janeiro.

Em 2011, em entrevista ao portal Terra, o coronel Jarbas Passarinho, que foi ministro durante a ditadura e no governo Collor, disse que Bolsonaro foi protegido por um general amigo dele no STM e acrescentou que, quando era candidato, Bolsonaro gostava “pernoitar no alojamento dos sargentos”. Ao dizer a frase, riu.

Terra excluiu a entrevista do site, mas o Globo fez uma reportagem sobre a entrevista e mantém o texto em seu arquivo.

“Nem todos os militares estão ligados a ele, mas como ele é o único que aparece falando… os militares, inclusive depois do meu silêncio por doença, perderam espaço. Eu perdi meu espaço no “Estado de S. Paulo”, no “JB” (Jornal do Brasil), que infelizmente faliu, no “Correio Braziliense”, no “Estado de Minas”. Então, desapareceu essa voz que tinha uma penetração na área mais nobre da mídia. Ele irrita muito os militares também, porque quando está em campanha, em vez de ele ir ao Clube Militar, como oficial, ele vai pernoitar no alojamento dos sargentos (risos)”, afirmou o Jarbas Passarinho, que foi coronel do Exército.