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Sanchez agradece Lula: “Nova legislação trabalhista vai garantir direito a todos e todas”

Presidente da Espanha atendeu sindicatos e movimentos sociais e reverteu reforma trabalhista neoliberal no país. Lula sinalizou que deve fazer o mesmo, caso seja eleito.

Por Plinio Teodoro/RevistaFórum

Pedro Sanchez, presidente da Espanha, e Lula (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente da Espanha, Pedro Sánchez, foi às redes sociais nesta quinta-feira (6) agradecer Lula pelos elogios à reversão das mudanças que precarizavam as relações de trabalho no país europeu.

“Esta é uma conquista coletiva da Espanha, um compromisso do Governo e um exemplo de que, com diálogo e acordos, podemos construir um país mais justo e solidário. Obrigado, @LulaOficial, por reconhecer este novo modelo de legislação trabalhista que vai garantir os direitos de todos“, tuitou o presidente da Espanha, compartilhando tuite do colega brasileiro.

Em sua publicação, Lula sinaliza que deve fazer o mesmo no Brasil, caso vença as eleições presidenciais em outubro.

“É importante que os brasileiros acompanhem de perto o que está acontecendo na Reforma Trabalhista da Espanha, onde o presidente Pedro Sanchez está trabalhando para recuperar direitos dos trabalhadores”, escreveu o petista.

A revogação da reforma trabalhista neoliberal na Espanha atende a uma reivindicação de sindicatos e movimentos sociais ligados à coalizão formada entre PSOE e Podemos. Dez anos depois das mudanças, o desemprego no país chegou a 14,5%, um dos maiores índices da União Europeia.

Sinalização de Lula faz neoliberais ligarem pânico na mídia

Bastou Lula sinalizar quais serão os rumos da política econômica, com um tuite elogiando a retomada dos direitos trabalhistas por Pedro Sanchez na Espanha, para os aduladores do sistema financeiro e do fracassado neoliberalismo ligarem o modo pânico na internet e sites de jornais.

Principal porta-voz da burguesia e do sistema financeiro, o jornal O Estado de S.Paulo retomou a ladainha sobre as “dúvidas sobre qual será o projeto econômico de Lula”.

“A pressão sobre Lula é um efeito colateral das dificuldades da terceira via: como o ano virou sem que tivesse aparecido um nome capaz de fazer frente ao petista e a Jair Bolsonaro, o mercado financeiro, o centro e o setor produtivo do País acham que já é hora de pedir mais clareza sobre o pensamento econômico de Lula“, dizem Alberto Bombig e Camila Turtelli na edição desta quarta-feira (5) do jornal.

O texto deixa sob nuvens o que a consultoria Eurasia Group já escancarou ao setor financeiro: não há chances para a terceira via e Lula deve ser eleito, mesmo com uma tentativa de golpe de Jair Bolsonaro (PL).

Maia defende a reforma na Folha e no Valor
Um dos principais artífices das reformas neoliberais do governo golpista de Michel Temer (MDB), entre elas a trabalhista – aprovada a toque de caixa sob promessa de mais empregos -, Rodrigo Maia (Sem partido-RJ), secretário do governo João Doria (PSDB), ganhou repercussão nas páginas da Folha de S.Paulo e do Valor, do grupo Globo.

“As leis trabalhistas da ditadura [de Getúlio] Vargas, que foram reduzidas em 2017, estão no caminho correto. Tem proteção, sim, diferente do que muitos pensam e elogiam sobre a matriz econômica da China, que não tem nenhum tipo de proteção social, o bem-estar social tão defendido pela esquerda de forma correta. Mas tenho certeza que não é isso que a esquerda vai defender, um país como a China, que não tem lei previdenciária, trabalhista”, disse Maia, fazendo coro com os bolsonaristas sobre o “comunismo chinês” e colocando a culpa não “na boa reforma trabalhista que fizemos, mas na questão estrutural”.

Segundo ele, revogar a reforma iria “engessar o mercado de trabalho”. Maia ainda desdenha dizendo que há “recuperação do emprego sempre no emprego precário, na informalidade” e diz que o “Brasil não vai voltar a crescer criando restrições, criando um Estado paternalista”.

Ciro critica Mantega para buscar espaço na finada terceira via
Nas redes, Ciro Gomes (PDT) criticou artigo de Guido Mantega na Folha de S.Paulo, em que o ex-ministro defende o que já foi feito durante os governos do PT: colocar o Estado – e não o mercado, como querem os neoliberais – como indutor da economia.

“O que está em jogo nas próximas eleições é se continuaremos com a política econômica desastrosa do governo Bolsonaro e de outros candidatos neoliberais, ou se vamos retomar a via do social-desenvolvimentismo rumo ao Estado de bem-estar social“, escreve Mantega, citando números e fatos.