Home Direto da Redação Urge a necessidade de uma aliança estratégica para derrotar o fascismo

Urge a necessidade de uma aliança estratégica para derrotar o fascismo

Não vamos derrotar o fascismo apenas com aliança no campo ideológico.

Setores da esquerda andam a estranhar a construção da provável aliança entre Lula e o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Apreensões de toda sorte – como por exemplo, a de que Alckmin apoiou o golpe que derrubou o governo da ex-presidente Dilma – permeiam essa desconfiança, que nasce viciada por uma simples inobservância: a de que a composição não é entre Lula e Alckmin, como eu, também equivocadamente, acabo de escrever. A composição, minha gente, dá-se entre o PT e o PSB.

Há um bom tempo que Geraldo Alckmin tem as malas arrumadas e fechadas para desembarcar no partido comandado por Carlos Siqueira. Acompanhava apenas as prévias tucanas em que o governador Doria, de São Paulo, disputava a preferência para a candidatura à presidência da República com o também governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Geraldo tentava, como seus últimos feitos no ninho tucano, impor derrota a Doria, de quem não gosta.


Doria venceu as confusas prévias do PSDB. Agora, a filiação de Alckmin ao PSB é uma questão de horas.

A aliança faz-se urgente. A mídia corporativa começa a criticá-la, o que é um bom sinal. Alckmin estará no campo das esquerdas, e a aliança com ele e seu futuro PSB será fundamental para conduzir Lula de volta à presidência. Some-se a isso que abrirá também os caminhos para o projeto de Fernando Hadadd tornar-se governador de São Paulo, o que poderá engendrar-se numa chapa composta com o pessebista Márcio França, que foi vice de Alckmin e dele herdou a cadeira de governador do mais populoso e rico estado do país.

A aliança, repito, faz-se urgente. Diferente do cenário de 2018, em que Hadadd precisava derrotar Bolsonaro, agora Lula precisa derrotar o fascismo assumido por muitos, a começar por Bolsonaro, em seus atos e opiniões. E Lula e o PT não podem fazer isso sozinhos, mesmo porque esse fascismo agora avança com duas candidaturas, já que Moro, o juiz ladrão, anunciou seu nome e já faz campanha.

Para fechar, lanço mão do argumento principal: deve-se esquecer as antigas diferenças que separavam o PT, de Alckmin e seu (antigo) PSDB, uma vez que naquela polarização a disputa envolvia dois projetos políticos que rivalizavam o neoliberalismo e sua tentativa de diminuição do estado, e o trabalhismo e suas pretensões de um estado de bem-estar social. Ambos os projetos convivem com a democracia.

Agora, não. Agora a disputa dá-se entre um pretenso e insistente autoritarismo de feições assumidamente fascistas, como é o governo Bolsonaro, e a preservação da saúde da nossa democracia, por ora tão combalida.

Só Lula pode protagonizar o triunfo das forças democráticas, isso demonstram as pesquisas, pra não haver dúvidas.
O caminho está aberto, com um Bolsonaro cada vez mais impopular e desorganizado ao ponto de não ter viabilizado um partido para chamar de seu, e agora refém do centrão e de um político como Valdemar Costa Neto, notório representante da odiosa política da corrupção. A entrada de Moro na disputa desidrata ainda mais Bolsonaro, enquanto Lula puxa um Alckmin (no PSB) e arrebata boa fatia do eleitorado Paulista, acenando bem para o famoso ‘mercado’.
Que venha a aliança. Lula, depois de cumprir 580 dias de uma prisão política, volta reenergizado para tocar seu projeto de voltar à presidência e salvar a democracia brasileira. Para isso, deve sim unir-se a Alckmin e a tantos quantos queiram defendê-la.

Mas Lula também preserva e amplia sua antiga aliança com o povo, que é a própria democracia.

Direto da Redação/FolhadaPB/Basílio Carneiro

Postagem AnteriorSecretário da Receita foi trocado por ordem do clã Bolsonaro para apagar vestígios da “rachadinha”
Próxima postagemProjeto do PT para reduzir preços dos combustíveis é aprovado em comissão do Senado